quarta-feira, 11 - 07 - 2012 | Escrito por Paulo Pacini Rio Antigo

São Elesbão e Santa Efigênia

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A região do Saara no Rio de Janeiro, que inclui as ruas Senhor dos Passos e da Alfândega, possui um dos maiores conjuntos de imóveis históricos, cuja construção se situa aproximadamente entre o final do século XIX e o início do seguinte. Verdadeiro coração do comércio popular e legal da cidade, sua origem se estende por séculos, quando a grande área além da rua da Vala (Uruguaiana) era conhecida como Campo ou Várzea da Cidade e depois de São Domingos, sendo ocupada só a partir dos anos 1700.

Naquelas duas ruas principais existem três igrejas que testemunham a antiguidade do local: São Gonçalo Garcia (São Jorge), do Terço e de São Elesbão e Santa Efigênia. É dessa última que falaremos hoje.

efigenia_elesbao_001A antiga Igreja de São Elesbão e Santa Efigênia, em pleno coração do Saara

O Campo de São Domingos, mencionado acima, recebeu esse nome a partir do início do século XVIII, quando escravos e libertos ergueram uma capela no descampado chamado de Várzea da Cidade. Ninguém por ali morava, só existindo um caminho que ia dar no Valongo (Saúde). Dedicada a São Domingos de Gusmão, o modesto templo ficava em frente a um cemitério de escravos. Posteriormente convertido em igreja, iria desaparecer em 1942 com a abertura da Av. Presidente Vargas.

Mas a iniciativa dos devotos de São Domingos atrairia outros grupos de escravos com a mesma necessidade por uma casa própria. Um deles era ligado a Santa Efigênia e São Elesbão, e até então celebravam o culto em uma residência. Em 1740 obtiveram permissão para construção de sua igreja. Foi comprado um terreno próximo à Igreja de São Domingos, junto ao antigo caminho de Capueruçu, e as obras começaram em 1747. Em 1754, era inaugurada a capela, e a rua, nesse trecho, passou a ser chamada de Santa Efigênia, com referência ao novo templo.

A igreja tinha bom número de fiéis e continuou com vigor durante o século XIX, mas sofreu duro golpe quando da proclamação da Lei Áurea, pois perdeu grande número de devotos, escravos que contribuíam para o sustento do templo que, após o fim da escravatura, foram para o interior em busca de uma vida melhor, e portanto não mais podiam colaborar. O prédio sofreu grande degradação e foi necessário que a Irmandade de São Elesbão e Santa Ifigênia se desfizesse de vários imóveis para fazer as reformas necessárias à igreja. Esta sobreviveu, foi reinaugurada em 1914 e está presente até hoje, fazendo parte do valioso patrimônio histórico carioca.

Localizada bem no Saara, às vezes é necessária alguma atenção para ser percebida no meio da agitação da rua da Alfândega, mas é válida e sempre será recompensadora uma visita a esse antigo e singular templo.

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