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As antigas igrejas do Rio de janeiro formam, em seu conjunto, talvez a parte mais importante do patrimônio da cidade, com uma história se estendendo por mais de quatro séculos. Parte essencial do cotidiano de então, muito mais que hoje, os edifÃcios testemunharam inúmeros acontecimentos, pelos quais a mão do acaso formou o conjunto por nós conhecido. Seria contudo errôneo supor que sua origem deveu-se únicamente à devoção religiosa, embora essa tenha sido a principal motivação, pelo menos no que tange aos fiéis, sem cujo esforço e doações não teria sido possÃvel materializar os templos. Mas a todo momento sobrevinham paixões e interesses, dos mais puros aos mais mesquinhos, como, alÃas, em qualquer ramo de atividade humana. Um dos primeiros eventos desse tipo ocorreu em meados do século XVII, como veremos a seguir.
Após as primeiras décadas da nova cidade no alto do Morro do Castelo, localização estratégica contra inimigos por mar ou terra, começou a ocupação das terras na parte baixa, à beira-mar, chamadas de várzea e acrescidas paulatinamente pela dragagem de pântanos e alagados. A conveniência de não ter de subir o morro levou mesmo à transferência da Câmara a partir de 1639, com a construção da cadeia nova, que era também local de reunião dos representantes. O prédio ficava ao lado da Igreja de São José, no final da rua da Misericórdia, e tornou-se célebre, dentre outras coisas, por ser onde ficou preso Tiradentes. A Igreja de São José, uma das primeiras construções da várzea, foi inicialmente uma ermida, provávelmente construÃda em 1608. Tempos depois sofreu a primeira reforma, transformando-se em verdadeira igreja, o que despertou a cobiça do administrador eclesiástico da Sé, D. Manuel de Sousa Almada, no ano de 1659. Com a Igreja de São Sebastião no Castelo, sede da Sé, arruinada pela carência de recursos para manutenção, e número decrescente de fiéis, pretendeu Almada tomar a igreja de São José à força, mas sua tentativa foi rechaçada por depender de autorização da Coroa, a qual recusou. Mas isso não foi o fim da história. Setenta anos após, uma nova geração de religiosos tentaria mais uma vez sair do Castelo, o que causaria várias conseqüências inesperadas. O bispo D. Antônio de Guadalupe conseguiu um alvará para a transferência da Sé para a Igreja da Cruz dos Militares, e, na calada de uma noite de fevereiro de 1734, invadiram o templo e deles se apossaram. Nos dia seguinte, os donos da casa constataram estupefatos a invasão, o que levou nos anos seguintes a uma série de conflitos, com os militares resistindo à força à s interferências dos religiosos. A igreja passou a não ter nenhuma manutenção, e após um pedaço do teto quase cair em cima dos invasores, estes decidiram mudar de casa. Mas para o Castelo é que não voltavam. A próxima vÃtima foi a igreja do Rosário, construÃda com sacrifÃcio pela Irmandade de N.Sª do Rosário e S. Benedito dos Homens de Côr, originalmente situada — ironia — na Igreja de São Sebastião no Castelo. De lá práticamente expulsos em 1710 pelos mesmos religiosos, passaram por muitas dificuldades e peripécias, mas em 1725 já tinham seu templo, construÃdo em uma área então afastada e desvalorizada. Os pobres escravos libertos não gostaram nem um pouco da invasão, ocorrida em 1737, mas tiveram de engolir. Não tinham o mesmo poder de fogo (que aliás podia ser literal) dos militares para resistir.
Seguiram-se os habituais conflitos, e avaliou-se que a única solução seria a construção de uma nova Sé. O governador Gomes Freire iniciou a empreitada, sendo o terreno escolhido no atual Largo de São Francisco. Os alicerces foram lançados em 1739, mas as paralisaram-se as obras pouco depois. A lentidão e as interrupções seguidas faziam com que os trabalhos se arrastassem por décadas, e o espÃrito mordaz do carioca levou à criação de uma nova expressão, para designar tudo aquilo que não termina nunca: "Isto é velho como as obras da Sé!". Assim continuou por todo perÃodo colonial, e quando D.João chegou em 1808, as obras não estavam muito mais adiantadas que na época de Gomes Freire. O desfecho ocorreria a partir da iniciativa de um dos principais aduladores da côrte, Fernando José de Almeida, o Fernandinho, barbeiro e cabeleireiro de D. João, que com sua conversa mole conseguia quase tudo. Este convenceu o prÃncipe-regente a construir o Teatro São João, depois São Pedro, em 1813, um dos mais importantes do século XIX, e que se situava onde é hoje o João Caetano. Foi utilizado em sua construção o material das obras da Sé, acabando enfim com a interminável história. Tempos depois, no lugar onde deveria ter sido a Sé, foi construÃda a Academia Real Militar, a qual daria origem à Escola Politécnica. Em seu prédio hoje está o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ, último elo de uma longa cadeia de acontecimentos originada pelo anseio, aliás compreensÃvel, de um grupo de religiosos por uma melhor moradia, há quase trezentos anos. A Praça da República é, sem dúvida, um dos pontos mais destacados do centro do Rio de Janeiro, com amplas dimensões e belos jardins projetados pelo paisagista Glaziou em 1873. Gatos, marrecos e cotias desfrutam permanentemente da área verde, assim como grande número de pedestres que a cruzam diáriamente em busca das ruas centrais. O parque é ainda por cima emoldurado por imóveis históricos imponentes, valorizando ainda mais o local, em que pese uma boa parte do conjunto ter sido perdido quando da abertura da Av. Pres. Vargas, uma das obras que mais mutilou o Centro. O parque, fato curioso, ainda é chamado pela maioria das pessoas de Campo de Santana, por conta de uma tradição imemorial. Mas se a igreja de Santana fica na rua Santana, afastada, por que motivo o campo leva seu nome?
Tudo começa em princÃpios do século XVIII, quando a cidade se concentrava entre o que é hoje a rua Uruguaiana e o mar. A área indefinida que se estendia ao norte, até os mangais de São Diogo — um braço de mar que entrava pela atual av. Francisco Bicalho e terminava próximo à Central — era conhecida como Campo da Cidade. Foi então que a Irmandade de São Domingos, formada por ex-escravos, e que tinham a imagem de seu padroeiro na Igreja de São Sebastião no morro do Castelo, foram forçados a de lá sair, e receberam da Câmara uma faixa de terreno de vinte braças para erguer seu templo. A obra começou em 1706, em um local situado aproximadamente no cruzamento da Av. Passos com a Pres. Vargas. A igreja se tornou a única construção presente, o que mudou o nome da região, doravante chamada de Campo de São Domingos. Em um dos altares dessa igreja estava a imagem de Sant'Ana, cujos devotos, em número crescente, realizavam vários festejos, enciumando os donos da casa, os quais criaram todo tipo de conflitos, o que levou os seguidores de Sant'Ana a se refugiar na capela do Cônego Antônio Lopes Xavier, que ficava na rua General Câmara (também destruÃda pela Av. Pres. Vargas). Lá criaram a Irmandade de Sant'Ana, depois transformada em Ordem Terceira. Também receberam do arcediago da Sé, Antônio Pereira da Cunha, um terreno para construir seu templo, para os lados do bairro dos Cajueiros. A capela foi reconhecida pela autoridade eclesiástica em 1735, mas sua presença já havia dado nome à grande área próxima: Campo de Santana. O modesto templo conheceu altos e baixos, com periódicas degradações e restaurações, tão tÃpicas então quanto hoje, mas continuava bastante ativo na vida da comunidade. Sua principal atração era a festa do EspÃrito Santo, um acontecimento marcante nos tempos da Colônia e Império, que todos aguardavam com expectativa. Em meados do século XIX, contudo, a primeira igreja de Sant'Ana passou a ter os dias contados, pois a projetada Estrada de Ferro D. Pedro II exigia seu sacrifÃcio para erigir a gare central da ferrovia, exatamente onde ficava o templo. Os fiéis recolheram as imagens à igreja de São Gonçalo Garcia (conhecida hoje como de São Jorge) enquanto aguardavam a construção da nova casa, sendo a E.F. Pedro II inaugurada em 29 de março de 1858. O templo foi para a rua das Flores, em um terreno onde se iniciaram as obras da cadeia nova 30 anos antes, nunca concluÃdas. A igreja era inicialmente um construção modesta, e ficou pronta em 1870. A seguir iniciou-se a construção da nova matriz, franqueada ao público em 1878. Várias obras complementares, como do pórtico e da fachada estenderam os trabalhos até 1942. Essa longa história é a razão pela qual a tradição popular insiste em chamar o grande parque de Campo de Santana, mais de um século e meio depois da antiga igreja se mudar para a rua que hoje leva seu nome, que é como também foi chamado o bairro em que se situava, dos mais populosos e populares do Rio antigo, e que tinha sua contrapartida profana gravitando em torno da Praça Onze. Apesar da revolução causada na comunicação humana pela introdução da internet há quase 20 anos, primeiro com o correio eletrônico, e hoje com diversas mÃdias sociais, o meio de divulgação de notÃcias de referência continua sendo, para muitos, a imprensa escrita com seus jornais. Embora com tiragem reduzida e em muitos casos só existindo on-line, os jornais continuam firmemente enraizados no imaginário popular, fruto de séculos de existência em uma tradição que certamente custará a passar, se é que um dia irá. A perspectiva de um futuro sem jornais pode causar estranheza, mas pelo menos nos consolamos em saber que serão substituÃdos por uma infinidade de outros meios, e que não seremos deixados em um vazio absoluto de notÃcias.
Muito diferente foi o que viveram os habitantes do Brasil colonial, quando a coroa portuguesa, em sua polÃtica de exploração absoluta, negava a quem aqui morava os mais elementares direitos, tudo fazendo para impedir o desenvolvimento e não investindo em nada, fora o que facilitasse a exportação das riquezas para a metrópole, e o que garantisse a sobrevivência básica. Uma das conquistas da civilização mais temidas para a coroa era a imprensa, pois a difusão de idéias por material impresso era vista como potencial ameaça, pois o esclarecimento poderia fácilmente conduzir à rebelião. Portanto, era imperioso manter a maioria na mais profunda ignorância. Houveram tentativas de estabelecer uma imprensa durante a colônia, como em 1706, no Recife, e em 1747, no Rio de Janeiro, sob os auspÃcios de Gomes Freire, que, a contragosto, recebeu ordens de Lisboa para fechá-la. Tudo continuaria assim, caso a côrte portuguesa não tivesse aqui chegado em fuga no ano de 1808. Súbitamente, a situação da colônia virou ao avesso, e, como num passe de mágica, transformou-se na capital do reino. Com isso, a existência da imprensa tornou-se, ao invés de ameaça, uma necessidade. Assim, em 13 de maio de 1808, o prÃncipe-regente D.João reverte séculos de atraso com uma penada, criando o embrião de toda atividade de imprensa que se seguiu, até os dias de hoje. Nunca será demais agradecermos a Napoleão pela fuga da côrte para nossas terras. A recém-criada Imprensa Régia precisava de um local, para passar do decreto à palavra escrita, e encontrou abrigo na casa do Conde da Barca, na rua do Passeio. E foi de lá, a 10 de setembro de 1808, que saiu o primeiro número do primeiro jornal brasileiro, a Gazeta do Rio, redigido inicialmente por Frei Tibúrcio José da Rocha. A Imprensa Régia mudaria de endereço várias vezes, indo primeiro para a rua dos Barbonos (Evaristo da Veiga), para chegar em 1860, agora como Imprensa Nacional, ao antigo Largo da Carioca, onde teve prédio próprio, já demolido. Outras iniciativas rápidamente povoaram todo Brasil com grande número de publicações, à s quais os leitores se atiravam com avidez, talvez compensando o jejum ancestral de séculos sem notÃcias. O prédio que viu nascer a imprensa brasileira, contudo, mudou de mão várias vezes, sendo ocupado no Império pela Secretaria de Justiça e pelo Pedagogium na República, uma escola de formação de professores. Foi demolido nas primeiras décadas do século XX, substituÃdo por prédios de grande porte, como o da Mesbla e aquele onde ficava o cinema Metro-Boavista. Esse local anônimo, com suas calçadas infestadas de camelôs, contudo, foi a origem de um grande movimento de transformação da consciência coletiva através da informação, e, portanto, um dos berços da própria nacionalidade.
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Um dos fatores que afeta mais profundamente a vida atual é sem dúvida a alimentação, produzida em fábricas como qualquer outro bem de consumo. Cada vez mais se encontram evidências dos malefÃcios à saúde causados pela infinidade de produtos quÃmicos, para cujo emprego as empresas recebem carta branca de administradores governamentais corruptos. Usando como pretexto sua missão (leia-se lucros) no "combate à fome", pelo aumento da produtividade, têm seus ganhos multiplicados pela venda de uma enormidade de produtos tóxicos, como inseticidas, formicidas, fungicidas, além da modificação genética das sementes — o pior exemplo é o milho — para resistir aos produtos quÃmicos de controle de pragas que a mesma empresa vende. Mas nem sempre foi assim. Há mais de cem anos, quando ainda nem se sonhava com inseticidas e muito menos manipulação genética, todos alimentos eram do tipo chamado hoje de "orgânico" ou "natural", pois era a única maneira de cultivá-los. No Rio de Janeiro de 1900, onde o comércio em lojas era composto principalmente por quitandas, as ruas eram percorridas por uma multidão de vendedores oferecendo todo tipo de mercadoria, com um pregão muitas vezes incômodo aos ouvidos.
O escritor Luiz Edmundo registrou em seu livro "O Rio de Janeiro do Meu tempo" vários flagrantes do movimentado comércio ambulante da época. O português vendedor de perus tangia suas aves pela rua gritando: — Olha ôôô prú uuu da roda vô ôôô a! O vendedor de peixe, italiano: — Pixe camaró... Ulha a sardenha! O turco vendedor de fósforos: — Fófo barato, Fófo, fófo! O comprador de metais, hoje passando em uma Kombi, cujo slogan não mudou muito: — Chuuumbo, féeero, cama velha, metal velho para vender! Dentre a multidão de ambulantes — porque andavam de verdade, não como hoje, quando "ambulantes" colocam uma barraca no meio da rua atrapalhando a circulação — estava o vendedor de aves, que passava com galinhas, patos, pombos e outros, algumas vezes a pé, levando os animais em cestos, outras vezes acompanhado de um servil burro ou cavalo transportando o fardo. As cozinhas de nossas avós ou bisavós eram abastecidas com suas aves, as mais frescas, porque vivas. Muito se passou desde então. As ruas não pertencem mais à s pessoas, e sim aos automóveis e outros veÃculos, ameaça permanente à segurança e tremenda fonte de poluição atmosférica, com efeitos nefastos à saúde. À algazarra dos vendedores, tão criticada pelos intelectuais do passado, vista como um atraso, se sucedeu o barulho dos motores e buzinas, em uma troca no mÃnimo questionável. As galinhas antigas foram substituÃdas por tipos manipulados geneticamente, cujo consumo introduz no corpo do consumidor um sem número de produtos tóxicos, como antibióticos e hormônios, só para citar alguns. O vendedor foi substituÃdo pela prateleira do supermercado, onde a mercadoria é tornada mais atraente pelo uso de corantes e iluminação. A imagem do vendedor de aves do Rio de antigamente pode parecer nostálgica e lembrar uma era de muitas limitações, como a ausência da refrigeração, mas também representa um modo de vida em muitos aspectos muito mais sadio, como cada vez mais se constata hoje em dia. Suas caracterÃsticas são cada vez mais procuradas, como o consumo de Ãtens produzidos localmente e o uso de meios de controle naturais, seja na agricultura ou criação de animais. Visto sob esse prisma representa uma época que ainda tinha, por força das circunstâncias, uma sabedoria bem maior a respeito do que é saudável, perdida durante o século XX.
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Um dos Ãtens considerados essenciais em qualquer noticiário são as manchetes policiais. Seja por curiosidade, interesse pela sociedade ou preocupação com a própria segurança, muitos devotam tempo para se informar a respeito do que ocorre nessa esfera. Os crimes, é claro, sempre aconteceram, desde que o homem é homem — talvez até mesmo antes disso — mas a instituição policial, por mais que pareça eterna e entranhada em nossa vida, na verdade nem sempre existiu. Durante o perÃodo colonial, os poderes relativos à função policial se concentravam nas mãos dos vice-reis, que nomeavam e demitiam funcionários a seu bel-prazer, tendo sempre a palavra final a respeito de questões de ordem pública. Essa organização serviu passávelmente durante o perÃodo mencionado, mas a vinda da côrte portuguesa, em 1808, implantando um modelo de sociedade muito mais complexo, tornou-a totalmente inadequada.
Assim, em 10 de maio de 1808, pouco após chegar no Brasil, o prÃncipe-regente D. João cria a Intendência Geral da PolÃcia da Côrte e do Estado do Brasil. A motivação de D. João, contudo, foi o medo de ser assassinado por algum espião francês, que tivesse vindo secretamente persegui-lo em nossas terras... Seja como for, com o alvará de 10 de maio passa a existir a instituição policial brasileira, e como intendente-geral foi indicado o desembargador Paulo Fernandes Vianna, homem de confiança de D. João. É preciso entender que o cargo de Paulo Vianna englobava um espectro de atividades muito mais amplo que a manutenção da ordem, incluindo atribuições exercidas atualmente por prefeitos e outras autoridades, como, por exemplo, a reforma da própria cidade. O intendente se pôs a trabalhar, e, com desvelo e empenho, melhorou muito a qualidade de vida dos habitantes do Rio, através da construção e calçamento de ruas, aterro de pântanos, drenagem do Mangue, melhora no abastecimento d’água e construção de chafarizes, além de tornar as ruas mais seguras com o aumento do efetivo policial e a construção de quartéis. Tiveram particular destaque as iniciativas para melhorar o abastecimento de água, com o novo chafariz do Catumbi, próximo ao chafariz do Lagarto, sendo a vazão incrementada por um novo aqueduto, trazendo água do Rio Comprido e unindo-se ao do Catumbi, já existente, e também abastecendo o chafariz das Lavadeiras, no Campo de Santana, através de uma canalização provisória, de madeira, posteriormente substituÃda. Outra obra similar de Paulo Vianna foi o chafariz da rua do Riachuelo, de 1817, ainda existente mas depredado e transformado em parte de um portão.
O intendente de polÃcia realizou trabalho excepcional em sua administração, que se estendeu de 1808 a 1821, quando teve de renunciar após o episódio ocorrido em fevereiro desse ano, quando D.João VI foi obrigado a jurar a nova constituição elaborada em Lisboa. Uma das reivindicações do movimento era a demissão de várias figuras do governo, incluindo o intendente de polÃcia. Durante o tempo em que serviu a D.João, colheu elogios e teve seu esforço reconhecido pelo prÃncipe-regente e soberano, o que parece que ter incomodado profundamente o prÃncipe D.Pedro, futuro imperador do Brasil. Assim, após a volta de D. João a Portugal, em 26 de abril de 1821, uma das primeiras providências de D. Pedro foi mandar destruir o jardim construÃdo por Paulo Vianna em frente à Intendência de PolÃcia, no Campo de Santana, em mesquinha vingança. O insulto e a indignação sofrida por este fez com que falecesse quatro dias depois, vÃtima de derrame ou enfarte. Não merecia terminar a vida dessa forma quem tanto fez por sua terra, muito mais do que exigia o cargo, assim como não continua a merecer o esquecimento de que é vÃtima até os dias de hoje, quando personagens sem nenhuma expressão ou ligação com a história local são homenageados emprestando seu nome a todo tipo de logradouro.
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