quarta-feira, 18 - 07 - 2012 | Escrito por Paulo Pacini Rio Antigo

A Igreja do Sacramento

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Em abril de 1816, na rua do Erário ou Lampasosa, começavam as obras da Igreja do Sacramento da Antiga Sé, em terreno comprado recentemente onde havia um pântano coberto com tábuas. Junto ficava a imunda lagoa da Pavuna, que abrangia o atual Largo de São Francisco, existindo também uma vala que se estendia até a rua dos Inválidos. O campo em frente era popularmente chamado da polé, pois era onde se executavam os soldados.

Mas por que motivo a Irmandade do Sacramento da Antiga Sé, das mais antigas da cidade, construiria seu templo em local tão afastado e sem ligação com sua história? A irmandade, como consta no nome, estava instalada originalmente na Igreja de São Sebastião no Morro do Castelo, concluída em 1583. Com a deterioração do templo, o Cabido da Sé decidiu abandonar o local de qualquer maneira, mesmo que às custas dos outros, e, em 1734, invadia a Igreja de Santa Cruz dos Militares. A Irmandade do Sacramento compartilhou sua sorte, e, quando em 1737 o cabido se mudou para a Igreja do Rosário, ela foi junto.

sacramentoIgreja do Sacramento na Av. Passos, uma das mais imponentes do Rio de Janeiro

A chegada da côrte portuguesa em 1808 mudaria tudo, pois a Sé foi transferida para a Igreja de NSª do Carmo, em junho do mesmo ano. A Irmandade do Sacramento permaneceu na Igreja do Rosário, mas lá não queria ficar, por causa dos conflitos com os donos da casa invadida, bastante compreensíveis. Tentaram se transferir para outra casa alheia, a Igreja do Bom Jesus, na rua da Vala (Uruguaiana – demolida com a Av. Pres. Vargas), mas a congregação local se opôs veementemente, rechaçando a tentativa.

Só restava a opção de construir casa própria, o que aconteceu, como foi dito acima, a partir de 1816. Com apoio do governo, do povo e de várias personalidades, foi possível arrecadar os fundos necessários, e a capela-mor pôde ser inaugurada em julho de 1820. As obras, contudo, estavam longe de terminar, e o projeto do arquiteto João da Silva Muniz só se concluiria em 1859, quando o bispo Conde de Irajá finalmente a benzeu e consagrou.

A rua em frente, já urbanizada décadas após o início das obras, recebeu o nome de Sacramento, permanecendo assim até as reformas de Pereira Passos, quando lhe foi dada o nome deste. O templo, de aparência imponente e estilo de tipo barroco, tem fachada limpa e harmoniosa, encimada por três estátuas, a central, da Fé, em um nicho, tendo a seu lado as da Esperança e da Caridade. Internamente, tem cinco altares, o principal mais os dedicados a N.Sª das Dores, S. Sebastião, N.Sª do Terço e S. Miguel. A pia do batistério é a mais antiga da cidade.

O magnífico templo é tombado, e passou recentemente por processo de restauração que lhe devolveu a aparência dos primeiros tempos, livrando-o de décadas de poeira acumulada e também de depredações de vagabundos, considerados por muitos “artistas”. Só a vigilância permanente poderá manter em boas condições a quase bicentenária Igreja do Sacramento, uma das maiores e mais majestosas da cidade do Rio de Janeiro.

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