sexta-feira, 21 - 10 - 2011 | Escrito por Paulo Pacini Rio Antigo

A Igreja de N.Sª da Saúde

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Durante o século XVIII, a expansão do Rio de Janeiro iria acontecer em várias frentes, rompendo assim os  limites da antiga cidade. O crescimento foi estimulado pelo ouro das Minas Gerais que, ao transitar rumo à metrópole, deixava modesto mas valioso óbolo, o qual, como água no deserto, dava vida nova à povoação.

 Uma das regiões incluídas ficava a oeste da Prainha (Praça Mauá), e era alcançada ao longo da costa por um caminho que é hoje a rua Sacadura Cabral. A enseada, chamada de Valongo, logo depois ganhou acesso adicional por uma passagem se esgueirando pelos pântanos entre os morros da Conceição e Livramento, onde é a atual rua Camerino. O Valongo seria conhecido posteriormente pelo comércio de escravos, após a transferência dessa atividade para o local, ordenada pelo Marquês do Lavradio, vice-rei de 1769 a 79, assim tendo continuado até 1831, quando o tráfico negreiro foi oficialmente extinto, apesar de continuar a pleno vapor.

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Igreja de N.Sª da Saúde, construída em 1742 e que deu nome ao bairro
                                                    

A região era ocupada por chácaras, algumas de grandes dimensões. Uma delas pertencia a Manoel da Costa Negreiros, em cujos domínios estava incluído o morro da Saúde. O pitoresco local, banhado pelo mar, inspirou ao proprietário a construção de uma capela dedicada a N.Sª da Saúde, em agradecimento aos favores concedidos pela santa. As obras, iniciadas em 1742, ficariam concluídas algum tempo após, tornando-se o templo ponto de referência conhecido.

A partir da criação do cais do porto, no início do século passado, com o aterro da orla e a descaracterização do bairro, a igreja entrou em processo de decadência, e, apesar de tombada pelo patrimônio histórico, foi abandonada e teve vários ítens roubados, como a pia batismal, painéis de azulejos portugueses, e até dois sinos.

A situação só foi revertida a partir de 2001, quando iniciou o processo de restauração com a supervisão do IPHAN, concluído em 2007. O cuidadoso trabalho restituiu as melhores características, em que pese a ausência das peças anteriormente roubadas. O maior problema para o público, contudo, é conseguir entrar no templo, pois está sempre fechado e raramente se realizam missas. Seria importante que as autoridades competentes, eclesiásticas ou governamentais, resolvessem essa situação para que os interessados possam desfrutar essa bela peça de nossa história, resgatada da destruição mas ainda não integrando a vida cultural da cidade, posto que inacessível.

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O interior da igreja, belamente restaurado

 

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