domingo, 08 - 10 - 2017 | Escrito por Paulo Pacini Rio Antigo

A Casa da Princesa

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A rua Pinheiro Machado, em Laranjeiras, é uma das mais movimentadas da cidade, famosa pelos engarrafamentos que vão desde de manhã cedo até altas horas da noite, consequência do acesso ao Túnel Santa Bárbara, inaugurado em 1964. O caos e a poluição transformaram-na em algo irreconhecível aos cariocas de antigamente, que jamais imaginariam tal destino para aquele que era um dos locais mais aprazíveis e tranqüilos da zona sul.

Até meados do século XIX, grandes chácaras dominavam a paisagem, e uma delas pertencia a Domingos Francisco Rozo. Após seu falecimento, a propriedade foi dividida e os herdeiros abriram, em 1853, uma rua em suas terras, que recebeu o nome de Guanabara, em homenagem à conhecida baía. Tiveram o apoio de outro proprietário, José Machado Coelho, abastado comerciante de café da rua São Pedro, no centro.

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Palácio Guanabara: residência da Princesa Isabel de 1865 até o fim do Império,
em 1889

José Machado construiu um palacete em seu terreno em frente à nova rua, que se tornou o principal marco local, por suas dimensões e opulência. Anos depois, em 1865, o Conde d’Eu, marido da Princesa Isabel, o compra, entregando a reforma aos cuidados do arquiteto Jacinto Rabelo, discípulo de Grandjean de Montigny. Nascia o Palácio Isabel.

Após a proclamação da República, a propriedade, assim como vários outros imóveis da família imperial, foram incorporados aos bens da nação. No afã republicano de apagar os vestígios do  Império, o prédio passou a ser chamado de Palácio Guanabara. Como residência luxuosa que era, foi destinado ao papel de hospedagem para visitantes ilustres, geralmente chefes de estado. O primeiro hóspede chegaria em 1908, o rei de Portugal D. Carlos I, e para acomodá-lo fez-se uma reforma no palácio. Mas ele não veio, pois foi assassinado em fevereiro desse ano. Novas reformas foram feitas em 1922 para receber mais um monarca, o rei Alberto da Bélgica, que teve uma estadia bastante movimentada, tendo até mesmo escalado o Corcovado. Outras autoridades se hospedaram no Palácio Guanabara, incluindo o presidente americano Herbert Hoover e o de Portugal, José Antônio de Almeida.

O último presidente da República Velha, Washington Luís, passou a utilizar o Guanabara como residência oficial em 1926, dele saindo deposto pelo golpe de estado de 1930, que iniciou o período autoritário que culminaria com o Estado Novo e a ditadura Vargas. Os Integralistas, movimento de inspiração fascista, tentaram invadir o Palácio em 1938, em um golpe articulado com oposicionistas de São Paulo, mas fracassaram, e muitos foram fuzilados.

A tradição do Guanabara como residência presidencial terminaria com o presidente Dutra, que se transferiu para o Palácio do Catete, e, com a mudança da capital a Brasília, em 1960, o palácio tornou-se sede do governo do Estado da Guanabara até a fusão deste com o Estado do Rio em 1974, continuando até hoje.

Apesar de quase tudo ter mudado à sua volta, o Guanabara continua sendo uma bela construção, além de um dos mais importantes cenários da história do Império e da República brasileira, onde tantos episódios marcantes ocorreram ao longo de seus mais de cento e cinquenta anos de existência.

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